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A criação do LEMAT

Por Naysa Crystine Atualizado em 25/08/17 18:42.
Zaíra da Cunha Melo Varizo

Não pretendo aqui apresentar um currículo propriamente dito mas apresentar o meu caminhar como professora de Didática e Prática de Ensino de Matemática. O desejo de ser professora e de matemática surgiu na infância. O curso primário, ginasial e colegial fiz pelas escolas desse Brasil. A faculdade foi a Faculdade Nacional de Filosofia Ciências e Letras da Universidade do Brasil, na qual me formei em Licenciatura e Bacharelado em Matemática no ano de 1961.Minha paixão pela matemática se concretiza no desejo de que todos aprendam matemática e daí minha paixão pela Didática da Matemática a qual se confunde com a minha paixão pela Educação e que me leva a me preocupar com a formação do professor do ensino básico e de forma muito particular com a formação do professor de Matemática.Minha carreira como professora universitária começa na Universidade Católica de Goiás no ano de 1963, ano de criação do Curso de Licenciatura em Matemática. Na primeira série daquele curso lecionei 3 disciplinas e outras mais nos anos que se seguiram, entre elas estava a Didática Especial de Matemática. Desde então leciono esta disciplina que ao longo dos anos tem várias designações: Didática Especial da Matemática, Didática e Prática de Ensino da Matemática, Estágio Supervisionado de Matemática, nos cursos de Graduação. Naturalmente sua natureza também se modifica com os novos conhecimentos e as novas necessidades da sociedade, mas não o seu objetivo de oferecer subsídios básicos para se ensinar e aprender matemática.

Em 1967, começo a lecionar na Universidade Federal de Goiás. Na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e depois na Faculdade de Educação. São muitos os afazeres. Como chefe do Departamento de Didática, inicio um trabalho de implantação dos Estágios Supervisionados de todos os cursos de Licenciatura da UFG. Participo ativamente na elaboração do regimento do Colégio de Aplicação, do qual sou a segunda diretora. Sou presidente da Comissão Assessoramento do Concurso Vestibular, responsável pela elaboração das provas. Além da Didática e Prática do Ensino da Matemática, leciono outras disciplinas todas ligadas a formação de professores. Leciono História das Ciências, mas logo esta disciplina é excluída do currículo de licenciatura também leciono disciplinas do curso de pedagogia. Coordeno o curso do PREME de formação de professores de Matemática e outros da mesma natureza. Sou presidente do Colegiado de Cursos de Ciências Pedagogia.

Volto a ser chefe de departamento, agora Departamento de Didática e Prática de Ensino, depois vice-chefe, chefe do Setor técnico de Ensino da FE, depois vice-diretora da Faculdade de Educação. Coordenadora do PADES na UFG, programa da CAPES para o desenvolvimento do ensino de ciências. Pertenço a Comissão de Pesquisa da UFG.

Elaboro apostilas, publico artigos, escrevo capítulos em livro didático voltado para a formação de professores de matemática, escrevo livro didático para o ensino fundamental. Elaboro o Guia Curricular da Matéria de Ciências para o Estado de Goiás, para a sua elaboração convido alguns professores do Colégio de Aplicação de Matemática e Ciências. Elaboro junto com meus colegas da Comissão de Assessoramento do Vestibular os primeiros Manuais do Vestibulando. Elaboro o Manual do aluno do curso de Pedagogia.

Participo de muitos congressos científicos, encontros e seminários, nacionais e internacionais. Sou sócia fundadora da Sociedade Brasileira de Matemática (SBEM), sou a primeira diretora da Regional de Goiás da SBEM. Desenvolvo várias pesquisas todas voltadas para metodologia de ensino da matemática e para a formação de professores.

Faço cursos: de aperfeiçoamento, de especialização, de mestrado. Nasce a pesquisadora. Tenho bolsa de pesquisa da CAPES. Participo de congressos de pesquisadores de Educação Matemática.

Em 1992 deixo de pertencer ao quadro de professores da FE e passo a pertencer ao quadro de professores do Instituto de Matemática e Física da UFG. Nesta ocasião surge a oportunidade de criar o Laboratório de Educação Matemática, sonho acalentado há muitos anos pela professora de Didática e Prática de Ensino. Nos idos da década de 1980 esse sonho se fortalece junto com a aluna Silmara E. de Castro Carvalho, que abraça o mesmo sonho e que também é funcionária da UFG. Fizemos algumas tentativas para que ela fosse para FE, tendo em vista a criação do laboratório, mas infelizmente não alcançamos nosso objetivo. Em 1992, quando passo a integrar o quadro de professores do IMF, encontro com a Silmara também lotada no IMF. Pensamos então que tínhamos grande possibilidade de concretizar o nosso sonho de trabalharmos juntas na implementação do Laboratório de Educação Matemática. Assim em 1994, eu e a Silmara começamos a implementar o LEMAT.

Companheiras de todas as horas, Silmara e eu, nestes dez anos não temos medido esforços para fazer com que o laboratório cumpra seu papel na formação do professor de matemática do IME, oferecendo as condições necessárias e as ações cabíveis para atender os alunos do 4º ano de licenciatura e a seus professores orientadores e dos alunos e professores do curso de Especialização em Educação Matemática. Também temos nos esforçado ao máximo para que o IME cumpra seu papel de contribuir para o desenvolvimento profissional dos professores de Matemática de Goiânia e do Estado de Goiás, e conseqüente melhoria da aprendizagem de Matemática dos alunos das escolas do ensino básico. 

Pouco tempo depois do laboratório ter sido criado passamos contar com o apoio direto de duas professoras, recém concursadas da área de Educação Matemática, ex-alunas, ex-bolsistas do LEMAT, professora Maria Bethânia Sardeiro dos Santos e Professora Elisabeth Cristina de Faria.

Professores de diferentes disciplinas de matemática do IME têm tomado para si a causa do laboratório participando de seus projetos.Participei ativamente das diferentes reformas do currículo do curso de Licenciatura em Matemática, primeiro como aluna do curso de graduação da FNFCL, depois das comissões de reformulação do currículo do curso de Licenciatura em Matemática desde do início de minha carreira até o ano de 2003. Também participei das discussões da reformulação do currículo do curso de Pedagogia como professora da FE e como presidente do colegiado de curso. Nos últimos anos tenho participado do curso de Especialização em Educação Matemática lecionando e orientando monografias, e no curso de Especialização em Matemática tenho lecionado Metodologia do Ensino Superior.

 

 

Silmara Epifânia de Castro Carvalho 

Venho de uma família de educadores. Aos 4 anos de idade, assistia às aulas que meu pai ministrava na Escola de Agronomia da UFG. Aos 13 anos, organizei minha primeira sala de aula no quintal de minha casa, durante 8 meses, para um total de 22 alunos (com idades variando entre 3 a 24 anos). Aos 18 anos, ingressei no curso de Licenciatura em Ciências, habilitação Matemática e no mesmo ano fui contratada pela UFG como assistente em administração.Trabalhei na biblioteca seccional da Escola de Agronomia ate me formar, em 1986. 

Em 1986, fui transferida para o Departamento de Matemática, na gestão de chefia da professora Ilka Maria de Almeida Moreira. Nos três últimos semestres do meu curso de graduação, fui aluna da professora Zaíra da Cunha Melo Varizo, nas disciplinas Metodologia de Ensino e Didática e Prática de Ensino. Era sua única aluna, diante disto, firmamos uma grande amizade que perdura até hoje.  Em 1987, fui promovida através de ascensão funcional para o cargo de Técnico em Assuntos Educacionais, nível superior.

Sempre que me encontrava com a professora Zaíra, planejávamos trabalhar juntas em prol da Educação Matemática. Então ela idealizou um laboratório de educação matemática, para que eu, como graduada em matemática e já com o cargo de técnico em assuntos educacionais, pudesse atuar profissionalmente nele. Devido a uma série de implicações, só foi possível concretizar este projeto depois de 8 anos de planejamento. Neste ínterim, especializei-me pela UNIOESTE, Guarapuava-PR, no ensino da matemática-método da modelagem.

Em 1993, o projeto de criação do Laboratório de Educação Matemática foi aprovado, mas só em agosto de 1994 o LEMAT foi instalado e começou a funcionar em uma pequena sala no andar superior do IME (antigo IMF I). No LEMAT, havia apenas alguns livros didáticos e revistas, doados pela direção do Instituto. Desde então, passou a ser frequentado por alunos do último ano de Licenciatura em Matemática e professores do IME. Ao longo desses anos, fui me relacionando muito com a comunidade universitária e do Ensino Básico e ela se tornava mais exigente. Diante disso, sempre precisava ampliar meus conhecimentos e estar em constantes pesquisas.

Atuei em todos projetos que o LEMAT desenvolvia; cada um dentro daquilo que era necessário. Além disso, organizava, catalogava e registrava tudo o que recebíamos no centro de documentação.Estar no LEMAT, durante esses 10 anos, fez-me ver a matemática, cada dia mais bela e mágica, e, desta forma, senti-me realizada profissionalmente. As pesquisas que precisei fazer nos livros, nas revistas, na Internet e os relatos de experiências que ouvi e vivenciei, tanto da professora Zaíra como do público que frequentava o LEMAT, tornaram-me uma profissional reflexiva, crítica-investigadora, de tal maneira que me fez identificar e delimitar problemas, coletar dados, fazer observações, buscar padrões, estabelecer diferenciações, integrações e generalizações e oferecer oportunidade ao professor de refletir a importância de validar suas propostas de ensino em relação ao aprendizado do aluno.

Muitos me perguntam por que não estou em uma sala de aula. Já fui professora concursada da Rede Estadual de Ensino Básico do Estado de Goiás. Entretanto, optei pelo trabalho de Técnico em Assuntos Educacionais, por acreditar que em uma sala de aula me restringiria apenas a um grupo de alunos, mas, trabalhando com os professores desses alunos, atingiria o grupo de alunos de cada um desses professores, aumentando consideravelmente a eficiência do ensino da matemática e o número de alunos beneficiados com os ensinamentos da área de educação matemática.

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